segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mergulho nos doces mares de Minas

Mesmo longe do litoral, o estado é destaque também em um esporte inusitado para quem tem uma geografia acidentada e montanhosa: o mergulho

Por Nando Max

Minas Gerais, o estado brasileiro com maior concentração de montanhas no Brasil. Por conta da sua geografia, se destaca pelas paisagens de perder o fôlego e por ser uma potência nos esportes de aventura. Entretanto, é o segundo estado em um esporte que, pelo menos na essência, teria maior referência no litoral: o mergulho. É o segundo em número de mergulhadores registrados. Há alguns anos, os mineiros descobriram que aqui é o lugar certo para a prática do mergulho. Os mineiros estão indo cada vez mais a fundo, seja nos lagos, nos rios e até no mar.

O mergulho é recomendado para qualquer pessoa acima de 10 anos – em uma das escolas, o mínimo é de 15 anos –, sem limite de idade. Segundo o instrutor Charles Alvarenga Miranda, 31 anos, instrutor da Escola de Mergulho Mar a Mar, o mergulho é um esporte de endorfina e não de adrenalina. Esporte de endorfina é aquele no qual a dor ou o medo são substituídos pelo prazer. Neste caso, o coração do mergulhador tende a desacelerar, acomodando-se e apreciando o momento. É comum nos esportes radicais de aventura o organismo liberar adrenalina, mas não no mergulho. Os lugares mais procurados em Minas para a prática do mergulho são: Lagoa dos Ingleses, Mariana (Mina da Passagem), Escarpas do Lago e Serra do cipó (Véu da Noiva).

Onde aprender

Na capital mineira existem aproximadamente três escolas de mergulho que são regularizadas. Elas são submetidas às certificadoras de mergulho internacional, tais como PADI (Professional Association of Diving Instructors) e a SSI (Scuba Schools International). Acima destas certificadoras, uma entidade chamada RSTC (Recreational Scuba Training Council) determina a carga horária e os métodos que serão utilizados em todo mundo como exigência de conclusão do curso.

O curso tem a duração de 20 horas, que é divido em dois módulos: o primeiro com 10 horas de aula prática e 10 horas de aula teórica. O aluno tem a possibilidade de escolher realizá-lo em um fim de semana ou em qualquer dia útil. O preço do curso varia entre R$ 480, para quem possui equipamento, a R$ 544 – para quem deseja utilizar o equipamento da escola. Depois de concluído o curso, o aluno deverá desembolsar um valor que varia de R$ 429 a R$ 600, preço que inclui a viagem e o exame que irá verificar suas habilidades como mergulhador. Ao término, receberá o certificado de mergulhador autônomo.

Uma novidade?

Segundo Charles, a prática do mergulho não é nenhuma novidade para os mineiros. Minas é o segundo estado em números de mergulhadores registrados no Brasil. Só perde para São Paulo. “O fato de não termos mar fez com que criássemos uma cultura turística”, diz. Por isso, continua Charles, “um grande número de mineiros busca as cidades litorâneas em suas férias; o mergulho associa uma atividade a mais em suas viagens”. Além disso, o aumento da consciência ambiental está fazendo com que a humanidade busque esportes que não agridam à natureza.

O mergulho é uma prática esportiva que visa, principalmente, conscientizar os praticantes de que o ecossistema aquático é fundamental para nossa existência. O apelo ecológico, junto com o prazer único, faz com que a prática do mergulho esteja em ascensão. Além disso, o Brasil já possui uma infraestrutura adequada para uma demanda que tende a aumentar. Cabe ao aluno, após conquistar sua carteira de mergulhador, continuar estudando e se aprofundando para um dia vir a ser um instrutor.

BOX - Riscos

Apesar de ser considerada uma atividade segura, esta é uma prática que requer uma atenção especial. Muitas vezes, a beleza do ambiente aquático tira do mergulhador este zelo necessário que pode levá-lo a conseqüências trágicas. “Ao contrário dos esportes de adrenalina, a sensação de conforto e bem-estar proveniente do mergulho fazem com que esta prática seja recomendada a todos”, explicou.

Um caso para ser lembrado é o do ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Cláudio Coutinho. Exímio mergulhador de apneia — o mergulho sem utilização de cilindro de oxigênio —, que tinha nesse esporte um dos seus principais hobbies. Em 27 de novembro de 1981, Coutinho faleceu em um mergulho próximo às Ilhas Cagarras, no litoral do Rio de Janeiro, em frente à praia de Ipanema. Apesar de atleta, relatos dão conta de que ele estava se sentindo sem fôlego quando arriscou o mergulho. Talvez por conta da alta confiança, desprezou as recomendações e mergulhou assim mesmo.
BOX


Serviço — Divelife Escola de Mergulho. Tel: (31) 2512-2309 – procurar pelo instrutor Felipe Lima.

Escola de Mergulho Mar a Mar. Tel: (31)3225-0029 – procurar pelo instrutor Charles Alvarenga Miranda

O retrato de uma inocência roubada

Por NandoMax

Com o futuro roubado, menino afirma como foi obrigado a deixar a segurança de sua casa e ir morar na rua, onde conheceu as drogas e teve que se prostituir para viver.

Ramon (nome fictício) mora nas ruas de Belo Horizonte há dois anos. Por recusar a manter relações sexuais com o seu padrasto, foi expulso de casa e obrigado a se prostituir — “Minha mãe não acreditou em mim e eu vim para a rua”, explicou. Na rua, fez algumas amizades, mas apanhou muito de outros meninos que eram mais fortes. Em meio aos programas e as drogas, conta o que teve de fazer para se manter vivo.
Apesar de aparentar ter menos de 14 anos, quando perguntado, afirmou ter 17 anos. Com a frieza de quem sofreu em tão pouco tempo o equivalente para uma vida inteira, conta a sua história. Com um mentor mais velho aprendeu a ganhar a vida se prostituindo. “Ele levou eu e outro rapaz” — este rapaz conhecido como Lourival — “para um galpão abandonado e mandou que fizéssemos sexo com um homem”, contou. Após ter cobrado dez reais do homem, Ramon só recebeu dois reais. Uma contabilidade que os que vivem na rua conhecem muito bem. Os mais fortes exploram os mais fracos.

Não Foi Fácil

O adolescente diz que toda vez que sai com um homem mais velho se lembra do padrasto. “Ainda mais quando o cliente insiste em não pagar o combinado”, por ter um corpo franzino, “ele me paga com chutes e pontapés”, contou calmamente. Em algumas oportunidades, ele consegue revidar o ataque com pedras. Relembrando uma ocasião, Ramon diz ter acertado a cabeça de um homem que não quis pagar pelo programa — “sangrou muito”, disse.
Para escapar daqueles que não pagam o programa e ainda o agridem, Ramon prefere fazer ponto na região do Mercado Central. Nesta região, os clientes são mais velhos e por isso, menos beligerantes. A maioria de seus clientes tem carro. Se o cliente não tem carro, eles procuram um ambiente debaixo do viaduto que fica na Avenida do Contorno, perto do Shopping Tupinambás.

A Cumplicidade

Logo no início da reportagem, como condição para a entrevista ser realizada, Ramon chamou um rapaz que estava à distancia observando tudo. O nome do colega é Lourival. Loirinho e com o olhar que entregaria uma curiosidade inerente a toda criança, disse ter 17 anos, mesmo sendo menor que Ramon. Lourival reforçava o depoimento de Ramon com algumas intervenções.

Quando perguntado sobre o uso de drogas, Lourival nega. Entretanto, depois de alguma insistência, confirmou que ambos fumavam crack por ser mais barato. “Maconha é caro”, contou Lourival. Em dias frios, o rapaz disse que é melhor consumir cachaça – “Dá tonteira, mas esquenta a gente”, explicou. Enquanto respondia, os dois retiravam suas mochilas e mostravam o seu conteúdo: desodorante em aerossol, cuecas e camisetas, pacotes de biscoitos e um maço de cigarro. “o desodorante é para não espantar o cliente. Tem dia que não dá para tomar banho”, confidenciou.

E o futuro...

Os dois adolescentes afirmaram não usar nenhum preservativo. Com pouco conhecimento acerca da importância do uso da camisinha, ambos usaram como desculpa o alto custo do preservativo. “Custa caro, além do mais, é obrigação do cliente”, explicaram. Apesar da pouca idade, as conseqüências de suas vidas começaram a aparecer. Ambos trazem pequenas manchas pretas em suas pernas. Sintomas de que estes garotos podem estar contaminados com o vírus HIV. Tais manchas são conhecidas como Sarcoma de Kaposi, uma espécie de câncer que surge quando a AIDS se manifesta.
Após a entrevista, como exigência que Ramon impôs, ambos receberam um prato de espaguete e dez reais. Felizes por ter ganhado, em tão pouco tempo, mais do que ganharia em um programa, responderam num tom de cumplicidade o que iriam fazer com o dinheiro: “A gente vai brincar no fliperama”. Uma resposta que, pela primeira vez, desde o início da entrevista, mostrou duas crianças agindo como crianças.

Profissionais do jornalismo provam do seu cotidiano

Por NandoMax
No dia 26 de outubro, a turma do segundo período de jornalismo recebeu dois jornalistas para uma entrevista coletiva. Rejane Ayres e Rodrigo Soares responderam às perguntas da turma sobre suas respectivas funções. Rejane Ayres é jornalista e apresentadora de um programa da rádio OIFM. Entre suas respostas, o que mais destacou foi o perfil certo para exercer uma função tal e qual a dela. Rodrigo Soares trabalha no Jornal O Tempo. Especificamente, Soares escreve para a editoria de Cultura. Apesar da pouca experiência, ambos acrescentaram informações pertinentes sobre a prática do jornalismo. “Cada dia são onze páginas em branco para serem preenchidas”, ensinou Rodrigo.

Belo Horizonte será palco da turnê Faith No More

Por NandoMax

Com um estilo único, a banda Faith No More está novamente na estrada. A carreira da banda é marcada por grandes apresentações e Patton promete um final espetacular para BH.

Após se apresentarem em quatro cidades do Brasil, a banda Faith no More encerrará a turnê brasileira tocando para os belo-horizontinos. Mike Patton, vocalista da banda, promete fechar em grande estilo a participação da turnê brasileira. Após terem se separado, em 1998, Faith no More voltou com sua formação original. Para delírio dos fãs em Beagá que, pela segunda vez, prestigiará uma apresentação histórica no Chevrolet Hall, a apresentação contará com antigos sucessos, como Easy, Epic e Falling to pieces. O show será dia 8 de novembro, domingo, às 20h. Os ingressos variam entre R$140,00 (1º lote) a R$200,00 (4º lote).

Descaso ameaça shopping

Por NandoMax

Chegando ao ponto de ser considerado símbolo do Capitalismo bem sucedido e centro de grandes possibilidades para os positivistas, todo shopping busca, na vastidão de suas lojas, agradar até o mais rígido dos consumidores.


Apesar da conhecida aparência de perfeição que todos os shoppings tentam passar, uma denúncia fez parecer que os dias de glamour já estão chegando ao fim. Na noite do dia 28 de setembro, segunda-feira, o auxiliar de serviços gerais André – ele só revelou o primeiro nome – disse que o shopping Del Rey não possui uma boa condição de segurança. “Este shopping só não veio à baixo até agora porque Deus não quis”, confidenciou o auxiliar.

Banheiros limpos, corrimões reluzentes e um chão impecável. Tudo como manda o figurino. Mas visitando os bastidores do shopping fica fácil observar que nem tudo é perfeito. Convidados por André, os repórteres NandoMax e Amanda Carolina adentraram nos bastidores do estabelecimento afim de constatar o que o auxiliar resumiu como “descaso total”. Carrinhos de limpeza quebrados, fios elétricos dependurado e um sistema de hidrantes sem uma devida inspeção – “como pode vê, essa é a condição em que trabalhamos”, debochou. Indo além, em um lugar conhecido como DOCA, André conta que vários de seus companheiros estão tendo problema com o manuseio dos produtos de limpeza. Ele disse ainda que vômitos, irritação nos olhos e mal-estar são corriqueiras em seu dia-a-dia. “Esses produtos que nem sabemos de onde veio está nos deixando mal”, apesar disso “o serviço tem de ser feito”, revelou.

Enquanto dava entrevista, André confidenciou os motivos pelo qual ainda se mantém neste emprego. Apesar de tudo, o amor fala mais alto. Vindo da cidade de Itabirito, o jovem auxiliar se aventurou a vir para Belo Horizonte em busca do seu amor. “Ela teve de vir para BH e eu, depois de um tempo, vim atrás dela”, entusiasmou-se. Pela primeira vez, desde que iniciou a entrevista, aquele rapaz magro e sem expressão facial, mostrou-se humano ao rasgar um belo sorriso de felicidade – “Apesar de todas as coisas, valeu a pena”, concluiu.

Os repórteres procuraram a assessoria de imprensa do Shopping Del Rey para saber a posição deles perante tais denuncias. Apesar da gravidade, Isabel Borges, que se apresentou como assistente da assessora responsável pelo Shopping, preferiu omitir sua opinião. “Envie-nos um e-mail para que tais denúncias possam ser oficializadas”, desdenhou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Extinção programada ou mais uma pedra no caminho?

Por Fernando Maximiano¹

O leitor do século XXI apareceu com uma necessidade de estar atualizado que modificou a sua relação com a informação. O que antes demandava um tempo considerável, hoje é feito em apenas alguns cliques. A diferença de velocidade em que a informação é transmitida – difundida – pela web, firmou um novo crivo a ser seguido por todos os meios de informações existentes. O indivíduo não vai esperar para estar bem informado, o indivíduo pós-moderno tem pressa. E é exatamente esta pressa que está fazendo com que muitos jornais – principalmente os estadunidenses – não se adaptem a esta nova maneira de lidar com a informação e venha fechar suas portas.
Pensando neste novo leitor e na forma em que é concebida a disposição social (quem tiver a informação terá vantagem em todos os nichos da política e da economia) é que os jornais impressos se viram na necessidade de mudar sua abordagem para não serem extintos. A plataforma utilizada pelos jornais impressos possui limitações que na web é ignorada. Não há limites de espaço e o que conta é a quantidade de notícia apurada. Tem-se início, assim, a uma corrida onde a qualidade exigida é proporcionalmente inversa às condições de trabalho do jornalista que está no meio impresso.

“O redesenho das páginas impressas segue uma tendência de adaptação a uma leitura rápida ou lenta, linear ou multilinear, com o desmembramento de uma mesma reportagem em boxes e infográficos, como se fossem links mentais, numa metáfora do próprio funcionalismo cerebral.” (REIS 2007, p. 10)


Para o jornalismo impresso esta não é a primeira vez que sua adaptação será necessária para que possa sobreviver. Sempre quando um novo meio de comunicação surge, os demais são forçados a mudar para não serem engolidos pela novidade. Só que o problema do jornal impresso não é somente o surgimento de um novo meio de comunicação (web), mas de uma questão legítima e salutar em nossa contemporaneidade: sustentabilidade. Obviamente que na atual conjuntura mundial, a derrubada de árvores para fabricação do papel, que será usado na impressão do jornal e de livros, não é uma alternativa bem vista pela sociedade. Pensando nisso, em alguns países como os EUA, Japão e na Europa, os jornais impressos estão dando lugar ao jornal feito de telas de alto contraste, mas sem emissão de luz. Em alguns modelos, o aparelho é maleável o suficiente para ser enrolado e posto por debaixo dos braços. Esta é uma grande alternativa para quem não quer comprar o jornal impresso e também não quer perder sua praticidade – maleabilidade – e, também, para quem não tem paciência de acompanhar através da tela de um computador suas notícias.
Sendo esta nova tecnologia cara demais, os jornais ainda têm uma sobrevida considerável para se manter presente no mercado. O tempo para que se possa pensar e tomar decisões sobre o seu futuro é justamente este no qual está inserido. Pois conta com todas as possibilidades de um novo século de descobertas tecnológicas, porém, de maneira sustentável. Mesmo não pegando carona no senso popular, que já decretou o fim do jornal impresso para a próxima geração, é fato notório que o jornal impresso está perdendo espaço em meio às cobranças exaustivas que o estar informado acomete ao indivíduo. Segundo a revista Economist², que destacou em sua capa a pergunta “Quem matou o jornal?”, o fim do jornal impresso já está estipulado para acontecer no primeiro trimestre de 2043.

“De todos os meios 'antigos', os jornais são os que têm mais a perder para a internet. A circulação tem caído nos Estados Unidos, na Europa ocidental, na América Latina, na Austrália e na Nova Zelândia (nos outros lugares, as vendas sobem). Mas, nos últimos anos, a web acentuou o declínio. Em seu livro The Vanishing Newspaper, Philip Meyer calcula que o primeiro trimestre de 2043 será o momento em que o jornal impresso morrerá nos Estados Unidos, quando o último leitor cansado colocar de lado a última edição amarrotada.”


Para além dos fatores futuros e/ou contemporâneos, o fato é que o jornal impresso ainda será dono de uma fatia considerável deste bolo informativo. Pois, a grande vantagem da web – noticiar com rapidez – será ainda a munição na qual os jornais impressos irão se aproveitar. Com a rapidez em se noticiar, perde-se por não aprofundar no assunto e na forma genérica com a qual a matéria é abordada. Com o jornal impresso pode-se trabalhar com o local, mas com certa propriedade, atingindo, assim, uma das metas da notícia que é a proximidade ao fato ocorrido. Não que os blogs não façam isso, mas a notícia dada por um jornalista ainda tem maior peso do que aquela notícia dada por um blogueiro³. A outra peculiaridade é que no jornal impresso uma matéria pode ocupar o espaço de várias páginas de acordo com sua importância. É neste espaço dispensado que o jornal impresso ainda leva vantagem em relação aos demais meios de comunicação. Lidar com o local e com o aprofundamento das notícias é o que irá fazer com que o jornal impresso se mantenha em voga por um bom tempo ainda. Quanto tempo? Ninguém sabe! Mas que a história já mostrou que este meio de comunicação sempre estará apto a sobreviver, não importa o quão avançado é a tecnologia informativa. Os seus leitores estão aí para comprovar.




BIBLIOGFRAFIA:

REIS, Bianca Rocha do Nascimento. O jornal de papel na era dos veículos on-line: recursos e conceitos da internet nas páginas impressas. Orientador: Gabriel Collares Barbosa. Co-orientadora: Lucia Maria M. de Santa Cruz. Rio de Janeiro: UFRJ/ECO. Monografia em Jornalismo.


¹Bacharelando em Jornalismo – Centro Universitário Newton Paiva. Belo Horizonte, MG.

²Revista britânica Economist pergunta, na capa de sua edição de 24/8/06, "quem matou o jornal?" e contou com as informações contidas no livro de Philip Meyer.

³Blogueiro: quem noticia por intermédio de um Blog. Significação livre aferida por Fernando Henrique Liduário Maxmiano.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Robin Hood na cadeia

Dizem que a vida imita a arte e a arte imita a vida. Na ultima quarta-feira, Robério Antares, 25 anos, foi preso depois de roubar de Maria Augusta, 59 anos, a sua carteira. A ousadia não é o único fator que chama atenção para este caso, que segundo populares, “foi uma atitude digna de Oscar”. O roubo aconteceu na plataforma do metro na estação Eldorado, em contagem. Aproveitando a grande multidão, por volta das 18hr, Robério cortou a alça da bolsa da vítima e correu para fora da estação. Ao avistar o rapaz, policiais o seguiram até um ponto em que ele estava examinando a bolsa roubada. Dado o flagrante, o assaltante confessou o roubo.

Poucos segundos após o rapaz tê-la assaltado, Maria Augusta percebeu o assalto sentindo sua bolsa mais leve. Sem saber o que fazer a vítima foi acometida por um surto de histeria que a fez cair e bater a cabeça no chão. “Foi tudo muito estranho, do nada, ela começou a chorar, gritar e desabou ao chão”, lembrou um dos populares. Em questão de dois minutos, um grupo de apoio da polícia militar chegou até a vítima, já acordada, e prestou os primeiros socorros. “Fomos informados de que uma senhora estava passando mal e fomos socorrê-la. Ao chegarmos lá, ela nos contou que havia sido roubada. Mas ela está bem, foi só um susto mesmo”, informou o Sargento Rodriguez.

Ao ser informado de que a vítima ainda estava no local, Cabo Vieira, responsável pela prisão do assaltante, o levou até a vítima para um reconhecimento. Ao chegar, e ser reconhecido, Maria perguntou à Robério o porquê do roubo. “Eu não sou ladrão! Acontece que minha vizinha está passando dificuldades. Eu pensei que a senhora fosse uma dessas madames e que nem ia dar falta do dinheiro. Mas depois que vi que tinha um carnê na bolsa, vi que não era. Mas eu ia devolver. Não iria pegar de trabalhador”.

Levada ao hospital JK, em contagem, a vítima foi avaliada e liberada. Em um desabafo, ela afirmou não ter entendido a cena. “Não faço mal para ninguém! Vou à igreja sempre, ajudo meus netos e ainda sou assaltada”. E com os olhos lacrimejando, Maria foi amparada por sua filha até o carro.

Na delegacia, Libério confessou que era o terceiro assalto esta semana, “mas que ele não era ladrão, pois, estava pegando de quem não precisa para dar a quem precisa”. Com esta desculpa, o assaltante concluiu os seus dias como “Robin Hood”. O delegado, José Pessanha, declarou que “‘Robin Hood’ terá um bom tempo para avaliar a sua decisão de fazer justiça com as próprias mãos.